Em resumo: pintar o cabelo com tinta permanente (oxidativa) ou descolorá-lo é uma transformação química: o peróxido de hidrogénio oxida a melanina do cabelo e, na coloração permanente, pequenos precursores reagem dentro do córtex para formar moléculas novas e de grande dimensão. A alteração é irreversível. As tintas temporárias e a maioria das semipermanentes são sobretudo transformações físicas: depositam cor na superfície ou logo abaixo dela e saem com as lavagens. A henna fica a meio caminho.
«Pintar o cabelo é uma transformação química ou física?» é uma pergunta clássica das aulas de ciências, e a resposta honesta é «depende da tinta». Saber que produtos transformam a fibra e quais apenas a revestem, ou seja, quando a coloração é uma reação química e quando não é, diz-lhe quanto tempo a cor vai durar e o que ela exige do seu cabelo.

Transformação física e transformação química: as definições
Uma transformação física altera o aspeto ou o estado de uma substância sem criar uma substância nova: o gelo que derrete, o açúcar que se dissolve, o cabelo enrolado num ferro de ondular. As moléculas são as mesmas antes e depois, e a alteração pode, em geral, ser revertida.
Uma transformação química produz substâncias novas, com uma estrutura molecular diferente: o papel que arde, o ferro que enferruja. Quebram-se ligações, formam-se ligações novas e, regra geral, não é possível recuperar o material original.
O cabelo é uma fibra composta por camadas: uma cutícula exterior de escamas sobrepostas, um córtex que contém a queratina e o pigmento de melanina e, por vezes, uma medula central. O ponto onde a tinta atua, e se reage ou não, determina a categoria. O nosso guia sobre a estrutura do cabelo: cutícula, córtex e medula explica cada camada.
Pintar o cabelo com tinta permanente é uma transformação química
A coloração permanente, ou oxidativa, é o exemplo mais claro de uma transformação química na cosmética do dia a dia. Atua em três passos que se sobrepõem.
1. Um agente alcalino abre a cutícula
O amoníaco, ou um substituto mais suave como a monoetanolamina (MEA), eleva o pH do cabelo. As escamas da cutícula incham e levantam-se, permitindo que o resto da fórmula chegue ao córtex. O inchaço, em si, é reversível, mas abre a porta a tudo o que se segue.
2. O peróxido de hidrogénio oxida a melanina
O oxidante (revelador) contém peróxido de hidrogénio, a conhecida água oxigenada. Dentro do córtex, oxida a melanina natural, fragmentando o pigmento em partículas mais pequenas e incolores. É por isso que a coloração permanente consegue aclarar e não apenas tingir, e é por isso que o seu tom original não regressa quando a tinta desbota: o pigmento foi alterado, não coberto.
3. Pequenos precursores reagem e formam novas moléculas de cor
A bisnaga de cor contém precursores e acopladores minúsculos e incolores (a p-fenilenodiamina, ou PPD, é o mais conhecido). São suficientemente pequenos para entrar no córtex, onde, ativados pelo peróxido, reagem entre si para construir moléculas grandes e coloridas que antes não existiam. Estas são demasiado grandes para sair através da cutícula com as lavagens, e é isso que torna a cor «permanente». Substâncias novas e ligações novas: por qualquer definição, uma transformação química.
Descoloração: uma transformação química sem cor nova
A descoloração usa o mesmo passo de oxidação da tinta permanente, com uma concentração de peróxido mais forte, um reforço alcalino e sem precursores. A sua única função é destruir a melanina. Como continua a oxidar enquanto estiver aplicada, ataca também a queratina: algumas das pontes dissulfureto que dão força à fibra são quebradas e convertidas noutros compostos de enxofre. O resultado é um cabelo mais claro, mais poroso e com menos elasticidade, alterado tanto na proteína como no pigmento. O nosso artigo sobre cabelo pintado e descolorado aborda os cuidados de que esta fibra precisa.
Tintas temporárias e semipermanentes: sobretudo físicas
- As tintas temporárias (sprays de cor, gizes, espumas laváveis, amaciadores com cor) usam moléculas de pigmento demasiado grandes para entrar no cabelo. Revestem a cutícula e saem ao fim de uma ou duas lavagens: uma transformação física, como pintar uma parede.
- As tintas semipermanentes ou «diretas» contêm moléculas de cor já formadas, normalmente sem peróxido nem amoníaco. Alojam-se nas camadas exteriores da cutícula e, em parte, no córtex, não reagem com o cabelo e voltam a difundir-se para fora ao longo de várias lavagens: mancham a fibra em vez de a transformar.
- As tintas demipermanentes (tom sobre tom) esbatem a fronteira. Um oxidante de baixa concentração oxida ligeiramente os precursores para que se fixem dentro do cabelo, com pouco aclaramento da melanina natural. Quimicamente, são uma versão mais suave da coloração permanente.
Uma regra prática: se o produto precisa de oxidante, está a acontecer uma reação. Se simplesmente o aplica e enxagua, o mais provável é que esteja apenas a revestir a fibra.
Henna: a nuance
A henna é muitas vezes descrita como «natural, logo não é química», o que não é totalmente exato. As folhas de henna contêm lawsona, uma pequena molécula laranja-avermelhada que penetra na cutícula e se liga à queratina, algo que a maioria dos químicos consideraria uma reação química. No entanto, não oxida a melanina nem constrói moléculas novas dentro do córtex como faz a tinta permanente, pelo que o seu pigmento natural permanece intacto sob uma camada translúcida de cor. Na prática, o resultado é efetivamente permanente, e as «hennas compostas», com sais metálicos adicionados, podem reagir de forma imprevisível com tratamentos posteriores à base de peróxido.
O que estas transformações significam para a fibra
Os processos oxidativos deixam sempre vestígios. Levantar a cutícula, oxidar o pigmento e, na descoloração, quebrar pontes dissulfureto aumentam a porosidade, reduzem a elasticidade e fazem com que o cabelo perca água e proteína com mais facilidade. É por isso que o cabelo pintado tende a ficar com um toque mais seco, a embaraçar-se mais e a desbotar mais depressa nas pontas, onde a fibra é mais antiga e mais tratada. As cores diretas e temporárias exigem muito menos do cabelo, e a henna pode até dar à fibra uma sensação de maior espessura, embora limite as suas opções futuras.
Nada disto significa que deva evitar a cor; significa que a rotina à volta dela é importante: uma limpeza suave, produtos de condicionamento que ajudem a limitar a perda de água e tempo suficiente entre tratamentos oxidativos. Aprofundamos este tema no artigo as tintas alteram a natureza do cabelo?, e os fundamentos da própria fibra estão no nosso capítulo para iniciantes sobre o cabelo.
Antes de pintar: o teste de sensibilidade e a alergia à PPD
Como as tintas permanentes e demipermanentes criam moléculas novas no cabelo e na pele, também podem sensibilizar. A PPD e os precursores relacionados são uma causa bem conhecida de alergia de contacto, e uma reação pode surgir mesmo após anos a usar o mesmo produto. Os sintomas vão desde comichão e vermelhidão na linha de implantação do cabelo, nas orelhas e no pescoço até inchaço das pálpebras e do rosto. Faça sempre o teste cutâneo descrito no rótulo do produto, com a antecedência que este indica (normalmente 48 horas antes de cada aplicação), mesmo que a embalagem anterior não tenha dado problemas. Se alguma vez reagiu a uma tinta, a uma tatuagem temporária de «henna negra» ou a uma henna escura, fale com um dermatologista antes de voltar a pintar o cabelo. Inchaço, bolhas ou dificuldade em respirar depois de pintar exigem cuidados médicos urgentes.
Se o seu couro cabeludo ficou sensível ou se os comprimentos parecem muito diferentes depois de colorações repetidas, a nossa Clínica Capilar online gratuita permite que um especialista em tricologia analise algumas fotografias e um breve questionário e lhe envie uma avaliação personalizada, sem compromisso.
Perguntas frequentes
Depende da tinta. A coloração permanente (oxidativa) e a descoloração são transformações químicas: o peróxido altera a melanina e, na tinta permanente, formam-se moléculas de cor novas dentro do córtex. As tintas temporárias e a maioria das semipermanentes são transformações físicas: depositam pigmento já existente na superfície ou logo abaixo dela e saem com as lavagens. O pigmento natural foi oxidado em fragmentos incolores, e as novas moléculas de cor são demasiado grandes para sair do córtex. As substâncias originais já não existem, pelo que a única forma de recuperar o seu tom natural é deixar o cabelo crescer. Em parte. A lawsona, o pigmento da henna, liga-se à queratina e não sai com as lavagens, mas não oxida a sua melanina nem cria moléculas novas como faz a tinta permanente. Na prática, trate-a como permanente e tenha cuidado com as hennas compostas que contêm sais metálicos. Sim. A alergia à PPD e aos precursores relacionados pode desenvolver-se após anos de utilização sem problemas. Siga o teste indicado no rótulo do produto antes de cada aplicação e consulte um dermatologista se alguma vez reagiu a uma tinta ou a uma tatuagem de henna escura.Pintar o cabelo é uma transformação química ou física?
Porque é que a tinta permanente é irreversível?
A henna é uma transformação química?
Preciso mesmo de fazer o teste de sensibilidade sempre que pinto o cabelo?
Também lhe podem interessar: tricorrexis invaginata ou cabelo em bambu e cabelo com pontas afiladas.
Este artigo tem caráter informativo e não substitui uma avaliação médica personalizada. Os produtos SIMONE TRICHOLOGY são dermocosméticos e não se destinam a diagnosticar, tratar, curar ou prevenir qualquer doença.














