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Alopecia androgenética feminina e masculinaescalas de Ludwig e Hamilton-Norwood

A alopecia androgenética feminina e a masculina são a mesma condição com padrões diferentes. Saiba como as escalas de Ludwig e Hamilton-Norwood classificam cada padrão e em que diferem.

Pablo Ramos11 min
Homem a arranjar o cabelo ao espelho, a observar as entradas, sinal frequente de alopecia androgenética masculinaDesde 1989 — Espanha

Em resumo: a alopecia androgenética feminina e a alopecia androgenética masculina são a mesma condição — uma sensibilidade dos folículos do couro cabeludo aos androgénios, determinada geneticamente — expressa em padrões diferentes. No homem, o habitual são as entradas nas têmporas e o cabelo mais ralo na coroa, classificados com a escala de Hamilton-Norwood; na mulher, o cabelo torna-se difusamente mais ralo na zona central do couro cabeludo, com a linha frontal preservada, e o grau é avaliado com a escala de Ludwig.

Se está a comparar umas entradas que avançam com uma risca que parece mais larga e se pergunta se se trata do mesmo problema, este guia explica como a alopecia androgenética se comporta no homem e na mulher, o que significam os graus de Ludwig e de Hamilton-Norwood, em que diferem os dois padrões ponto por ponto e quando se deve consultar um médico.

Homem a arranjar o cabelo ao espelho, a observar as entradas, sinal frequente de alopecia androgenética masculina

Uma condição, dois padrões: o que é a alopecia androgenética

A alopecia androgenética, também chamada calvície comum, é a forma mais frequente de perda progressiva de densidade capilar em ambos os sexos. Em determinadas zonas do couro cabeludo, os folículos estão geneticamente programados para serem sensíveis aos androgénios, hormonas presentes em todas as pessoas. Esta sensibilidade hormonal encurta gradualmente a fase anagénica (de crescimento) e reduz o tamanho do folículo, um processo conhecido como miniaturização. Cada novo ciclo produz um cabelo mais fino, mais curto e menos pigmentado do que o anterior, até que o folículo passa a dar apenas um pelo do tipo velo, quase invisível.

Há dois pontos que são frequentemente mal compreendidos. Primeiro, a condição não é causada por ter hormonas «a mais»: a maioria das pessoas com alopecia androgenética tem níveis hormonais normais; o que difere é a forma como os seus folículos respondem. Segundo, a herança é poligénica — envolve muitos genes de ambos os lados da família, e não apenas do lado materno, como muitas vezes se pensa. Para perceber como a alopecia androgenética se enquadra entre os outros tipos de queda de cabelo, consulte o nosso capítulo sobre queda de cabelo e alopecia.

O padrão masculino e a escala de Hamilton-Norwood

No homem, os folículos sensíveis concentram-se nas têmporas e no vértice (coroa). O quadro típico é a recessão bitemporal — a linha frontal recua nos ângulos, formando as chamadas entradas em «M» — combinada com uma zona de cabelo mais ralo na coroa que vai aumentando lentamente. Com os anos, as duas áreas podem juntar-se, deixando uma faixa de cabelo nas zonas laterais e na região occipital, onde os folículos não são sensíveis aos androgénios.

Esta progressão é classificada com a escala de Hamilton-Norwood (ou simplesmente Norwood), que vai do grau I ao VII:

  • Graus I–II: recessão mínima ou ligeira nas têmporas, muitas vezes dentro da variação normal do adulto.
  • Graus III–IV: entradas evidentes, com ou sem uma zona de rarefação a formar-se no vértice.
  • Graus V–VI: as áreas frontal e do vértice alargam-se e a ponte de cabelo entre ambas estreita-se ou desaparece.
  • Grau VII: resta apenas uma faixa de cabelo em forma de ferradura nas zonas laterais e posterior.

Existem também as variantes «tipo A», nas quais a linha frontal recua da frente para trás como uma única linha que avança, em vez de o fazer por zonas separadas nas têmporas e na coroa. A escala é uma ferramenta descritiva: ajuda o especialista a registar o grau atual e a acompanhar a sua evolução, mas não permite prever o ritmo de progressão.

O padrão feminino e a escala de Ludwig

Na mulher, a mesma miniaturização costuma ter um aspeto diferente. Em vez de entradas, há uma perda difusa de densidade na coroa e na zona central do couro cabeludo, enquanto a linha frontal se mantém, em geral, preservada. O primeiro sinal que muitas mulheres notam é uma risca que parece mais larga do que antes, ou um rabo de cavalo com menos volume. Quando o alargamento é mais marcado à frente e vai estreitando para trás, fala-se no padrão em «árvore de Natal».

A ferramenta clássica de classificação é a escala de Ludwig, com três graus:

  • Ludwig I (ligeiro): rarefação percetível na coroa, com a linha frontal intacta e o couro cabeludo apenas levemente visível.
  • Ludwig II (moderado): redução acentuada da densidade na zona central do couro cabeludo, com a risca claramente alargada.
  • Ludwig III (grave/extenso): perda marcada na coroa, com o couro cabeludo facilmente visível, embora se mantenha habitualmente uma orla de cabelo à frente.

Existem outras escalas: a escala de Sinclair gradua a largura da risca central de 1 a 5, e a classificação de Olsen destaca a acentuação frontal do padrão em árvore de Natal. Seja qual for a escala utilizada, a calvície completa é pouco comum na mulher; a evolução habitual é uma perda progressiva de densidade, e não áreas lisas sem cabelo.

Alopecia androgenética feminina e masculina: comparação rápida

  • Padrão: homem — recessão localizada nas têmporas e rarefação no vértice; mulher — rarefação difusa na zona central do couro cabeludo e na coroa.
  • Linha frontal: homem — recua cedo e de forma progressiva; mulher — geralmente preservada, mesmo em graus avançados.
  • Início: homem — pode começar em qualquer altura após a puberdade, sendo muitas vezes notado na casa dos 20 e dos 30 anos; mulher — nota-se frequentemente mais tarde, por volta ou depois da menopausa, embora possa começar mais cedo.
  • Fatores hormonais: ambos — sensibilidade folicular aos androgénios com níveis hormonais habitualmente normais; mulher — quando existem sinais de hiperandrogenismo, justifica-se uma avaliação médica.
  • Escala utilizada: homem — Hamilton-Norwood, graus I a VII; mulher — Ludwig I a III, ou em alternativa Sinclair ou Olsen.
  • Progressão típica: homem — as áreas frontal e da coroa podem fundir-se, deixando uma faixa em ferradura; mulher — perda gradual de densidade, sendo a calvície total pouco comum.

Trata-se de tendências, não de regras. Algumas mulheres desenvolvem um padrão de tipo masculino com entradas nas têmporas, e alguns homens apresentam rarefação difusa no topo do couro cabeludo com uma linha frontal estável. O especialista classifica o padrão que está realmente presente, e não o esperado para o sexo da pessoa.

Hormonas: o que é diferente na mulher

O padrão feminino pode tornar-se mais evidente em momentos de sensibilidade hormonal — após a gravidez, ao mudar de contraceção hormonal, por volta da menopausa —, pelo que muitas mulheres perguntam se as hormonas são a causa. Na maioria dos casos, não são: a mulher típica com alopecia androgenética tem níveis hormonais normais, e uma alteração do equilíbrio hormonal apenas revelou uma sensibilidade que já existia.

A exceção é importante. Quando a rarefação surge acompanhada de sinais de hiperandrogenismo — períodos irregulares ou ausentes, acne persistente, excesso de pelos no rosto ou no corpo, como acontece, por exemplo, na síndrome do ovário poliquístico —, o médico deve pedir uma avaliação hormonal, já que tratar a condição de base faz parte do plano. O nosso artigo sobre as causas da queda de cabelo feminina aborda estes cenários hormonais e as outras razões pelas quais as mulheres perdem densidade.

É mesmo alopecia androgenética? Condições que a imitam

Nem todo o cabelo ralo é alopecia androgenética, e várias condições podem ter um aspeto semelhante ou coexistir com ela:

  • Eflúvio telógeno: queda difusa de cabelos de calibre normal após um fator desencadeante, como uma doença, o parto ou o stress; coexiste frequentemente com a alopecia androgenética e pode fazê-la parecer subitamente pior.
  • Carência de ferro e doenças da tiroide: ambas podem causar queda difusa e avaliam-se com análises ao sangue.
  • Alopecia areata: placas sem cabelo, lisas e bem delimitadas, que surgem rapidamente, em vez de uma rarefação gradual.
  • Alopecia frontal fibrosante: uma linha frontal que recua na mulher, muitas vezes com perda das sobrancelhas, não corresponde ao padrão feminino habitual; é um processo cicatricial e exige uma consulta de dermatologia sem demora.

Para uma visão mais ampla dos tipos e causas da queda de cabelo, o nosso guia sobre o que deve saber sobre a queda de cabelo é um bom ponto de partida.

Como o tricologista confirma o diagnóstico

O diagnóstico é sobretudo clínico: a distribuição da rarefação, há quanto tempo evolui e os antecedentes familiares apontam normalmente para alopecia androgenética. A tricoscopia (exame ampliado do couro cabeludo) acrescenta sinais objetivos. O achado característico é uma variabilidade do diâmetro das hastes capilares superior a 20%, que reflete cabelos miniaturizados a crescer ao lado de cabelos normais. Outros sinais típicos são um maior número de unidades foliculares com um único cabelo, pontos amarelos nos orifícios foliculares vazios e uma coloração acastanhada perifolicular. Estes sinais concentram-se nas áreas frontal e da coroa e são comparados com a região occipital, que costuma estar poupada.

As análises ao sangue são pedidas quando a história clínica sugere uma carência, um problema da tiroide ou hiperandrogenismo, ou quando se suspeita de um eflúvio telógeno sobreposto ao padrão. A biópsia do couro cabeludo — habitualmente com um punch de 4 mm — raramente é necessária, sobretudo para excluir uma alopecia cicatricial.

Gerir a alopecia androgenética: o que esperar

A alopecia androgenética é crónica e progressiva, por isso uma avaliação precoce faz diferença: o tratamento é, em geral, mais eficaz a preservar o cabelo existente do que a recuperar folículos que já miniaturizaram. As decisões de tratamento cabem ao médico. O minoxidil tópico é uma opção aprovada; os medicamentos orais e hormonais são decisões de prescrição que dependem do sexo, da idade e do estado de saúde, uma vez que os efeitos secundários e as contraindicações variam e alguns tratamentos não são adequados durante a gravidez. Existem procedimentos como o plasma rico em plaquetas, o laser de baixa potência e o transplante capilar, com evidência que varia consoante a abordagem; a camuflagem cosmética (fibras capilares, produtos corretores, penteado) continua a ser uma opção legítima em qualquer fase.

Há duas expectativas importantes. Os resultados demoram meses, porque o ciclo capilar é lento — o cabelo cresce cerca de 1 cm por mês — e qualquer mudança na densidade surge de forma gradual. E, como a sensibilidade dos folículos não desaparece, interromper o tratamento leva habitualmente a que a perda volte a progredir. Os cuidados dermocosméticos do couro cabeludo ajudam a manter um ambiente saudável, mas não substituem o tratamento médico. A nossa visão geral das opções de tratamento para a queda de cabelo aborda as possibilidades com mais detalhe.

Por fim, a dimensão emocional merece ser reconhecida: ver a linha frontal recuar ou a risca alargar afeta a autoimagem tanto no homem como na mulher, e isso é uma razão válida para procurar ajuda. Se quiser uma primeira opinião, a nossa Clínica Capilar online gratuita permite que um especialista em tricologia avalie as suas fotografias e um breve questionário, sem qualquer compromisso.

Perguntas frequentes

A alopecia androgenética feminina é a mesma condição que a calvície masculina?

Sim. Ambas são alopecia androgenética: uma sensibilidade genética de certos folículos do couro cabeludo aos androgénios que provoca uma miniaturização progressiva. A diferença está na distribuição — têmporas e coroa no homem, rarefação central difusa com a linha frontal preservada na mulher — e nas escalas de classificação.


Qual é a diferença entre a escala de Ludwig e a escala de Hamilton-Norwood?

A escala de Hamilton-Norwood (graus I a VII) descreve a recessão da linha frontal e a rarefação do vértice do padrão masculino; a escala de Ludwig (I a III) gradua a rarefação central difusa típica da mulher. Cada uma aplica-se ao padrão realmente presente, pelo que uma mulher com padrão de tipo masculino pode ser classificada com a escala de Hamilton-Norwood.


As mulheres com alopecia androgenética têm um problema hormonal?

Na maioria dos casos, não: os níveis hormonais são habitualmente normais e os folículos são apenas mais sensíveis. Uma avaliação hormonal é aconselhável quando a rarefação surge com períodos irregulares, acne ou excesso de pelos no rosto ou no corpo, o que pode indicar uma condição como a síndrome do ovário poliquístico.


A alopecia androgenética pode ser travada?

Muitas vezes pode ser abrandada e o cabelo existente preservado com um tratamento escolhido pelo médico, sobretudo quando iniciado cedo. A melhoria demora meses e, como a sensibilidade de base persiste, interromper o tratamento permite habitualmente que a rarefação volte a progredir.

Este artigo tem caráter informativo e não substitui uma avaliação médica personalizada. Os produtos SIMONE TRICHOLOGY são dermocosméticos e não se destinam a diagnosticar, tratar, curar ou prevenir qualquer doença.

Escrito e revisto por

Pablo Ramos

Fundador e CEO da TRICHOMEDIC LABS, S.L.U. e tricologista principal por detrás da SIMONE TRICHOLOGY, com mais de 37 anos de experiência profissional na saúde do cabelo e do couro cabeludo. Formado na International Academy of Trichology e na Società Italiana di Tricologia.

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